sábado, 21 de fevereiro de 2015

TIPOS DE SUBSTRATO- usando a criatividade



A finalidade do substrato é servir de apoio para a orquídea, de maneira que as raízes se agarrem e permaneçam firmes (mas sem compactação), além de permitir retenção de umidade, de circulação de ar e de nutrientes provenientes da adubação.
O Brasil foi agraciado com uma extensa e rica diversidade natural e constantemente somos surpreendidos com novas maneiras de tirar proveito dessa quantidade de opções sem agredir a natureza usando de forma renovável e sustentável esse presente.
 O planeta precisa com urgência utilizar materiais reciclados e resíduos provenientes da agroindústria visando diminuir a produção de lixo.
Os orquidófilos e também os orquidários profissionais podem e tem contribuído pesquisando e usando materiais que são descartados em sua região sendo usados como substratos alternativos ou até drenagem para os vasos.
Ao contrario do que pode parecer, não é complicado encontra-los.

 O que falta às vezes é informação e conhecimento para adequá-los as necessidades das orquídeas.
O ideal é que seja volumoso, de média a alta porosidade e de baixa densidade (leve), no aspecto químico a acidez (PH entre 5 e 6) e baixa salinidade são qualidades que propiciam um bom enraizamento e por fim a ausência de fitopatógenos e pragas. Abaixo uma lista dos substratos mais usados para orquideas e suas respectivas características e secagem:



1º-   Fibra, Chips e casca de coco:
 As empresas que processam e comercializam esse tipo de substrato utilizam de técnicas para dessalinização e esterilização, porque suas fibras são salinas e podem necrosar as raízes das epífitas. Sua durabilidade é de dois anos em média e pode ser usado puro ou misturado a outro substrato.  Placas de fibra de coco não são indicadas e não devem ser utilizadas porque as plantas não enraízam, pois a cola usada para formar a placa de fibra é tóxica. Secagem moderada. PH: 5,5 A 6,0




2º-    Musgo esfagno:
 É um substrato que possui o mesmo problema do xaxim, pois é retirado dos leitos dos rios o que causa impacto ambiental e pode causar a sua extinção. Atualmente existem empresas que cultivam esse musgo para minimizar esse problema, mas em contra partida encareceu o seu custo. Possui PH favorável estimulando o enraizamento, por esse motivo é muito usado em plantas novas que precisam de cuidados especiais e também em substratos mistos mantendo a umidade necessária por mais tempo evitando o apodrecimento das raízes. Tem o inconveniente de se deteriorar rapidamente com o excesso de chuvas ou regas. Secagem moderada. PH 3,5 A 4,2





3º-    Carvão vegetal: Novo sem uso, pois se for reaproveitado pode prejudicar a planta. Obtido da carbonização de madeira ou lenha esse elemento alcança ótimo desempenho como substrato, principalmente em locais úmidos, porque é bastante aerado, facilitando a drenagem e diminuindo o risco de encharcamento das raízes. O carvão é um bactericida natural e ajuda a manter a planta saudável e é ainda repelente de algumas pragas como caramujo e lesma. Por ser muito drenante é recomendado usá-lo acompanhado de outro substrato que retenha agua. O único cuidado que se deve ter com o carvão é que esse produto fica impregnado com o sal proveniente das adubações e precisa ser “lavado” uma vez por mês, por isso deve-se regar o vaso abundante com agua limpa. Dura em média 2 a 3 anos, depois fica saturado de sais minerais e começa a esfarelar alem de ser inerte, não possuindo os nutrientes necessários para o desenvolvimento do exemplar necessitando de adubação constante. Secagem rápida. PH: neutro




4º-    Casca de pinus: trata-se da casca de madeira picada. Utilizada em varias granulometrias, é o substrato mais usado atualmente. Geralmente é misturada com outro substrato como o carvão mineral para melhor aeração. É um substrato que mantém umidade por um período de tempo e também a adubação, não oferece muita firmeza para sustentar a planta sendo às vezes necessário tutora-la, outra opção é utilizar junto seixo rolado (pequenas pedras), que ajuda a fixar a planta. Em geral é vendido em sacos plásticos, mas sem tratamento por isso antes de usar é necessário retirar o excesso de tanino (substancia presente na madeira) deixando de molho e trocando a agua até que ela fique cristalina. Esse processo pode levar alguns dias e ao final é recomendado esterilizar com agua sanitária na ultima troca de agua para matar possíveis pragas e fungos, depois deixar secar por um período para que evapore o excesso de cloro. Tem durabilidade média de um a dois anos no máximo. Secagem moderada. PH: 4,0 a 4,5




-    Casca ou tronco de madeiras: 
 Pode ser utilizada na forma de placas, toquinhos ou          pedaços. Antes de escolher qual madeira usar é necessário saber a quantidade de tanino presente, pois é uma substancia que em excesso  prejudica a planta queimando as raízes. As melhores placas são a de peroba rosa que além de rugosa, tem grande durabilidade. As madeiras provenientes de árvores frutíferas também são compatíveis e os toquinhos de pau santo, pau branco do serrado, lixeira, corticeira e outras de casca grossa, leve e porosa favorecem o enraizamento. É um substrato que pode ser usado como “vaso” deixado pendurado com arame, mas também podem ser usados dentro de cachepos ou até mesmo vasos de barro formando bonitas composições, pois a planta tende a “caminhar” sobre a casca ficando com um aspecto bem próximo do que é visto nas florestas. Secagem super-rápida PH: 4,0 a 4.5




.6º-    Casca de macadâmia:
 A macadamia é um tipo de castanha (fruto) e seu uso tem aumentado gradativamente substituindo outras opções de substrato, pois tem mais dureza que a casca de pinus e durabilidade superior, além de ser rica em ácido fítico, que é liberado lentamente. O acido fítico é utilizada pelas plantas para armazenamento de fósforo, que é um nutriente responsável pela floração.  Como a planta absorve fósforo em pequenas quantidades, não mais que 15% nos fertilizantes solúveis, é recomendável sua presença no meio de cultivo. Outras cascas de castanha também podem e tem sido utilizadas como a castanha do Pará, o caroço de macaúba,  o caroço de açaí, juçara, bocaiuva, pindó, etc. Todas essa opções são riquezas regionais sendo mais difícil de encontrar fora da região de origem. Com exceção da casca da macadamia que é encontrada mais facilmente, pois a castanha macadamia é atualmente muito usada na indústria alimentícia e o descarte da casca tem sido usado como substrato. Secagem rápida.


SEIXO ROLADO

BRITA GRANITICA
-  Seixo rolado de rio, pedra brita, rochas em geral: são facilmente encontradas e seu uso muito recomendado como dreno no fundo dos vasos, porque além de não manter a umidade melhora o peso do vaso. Se for usado como substrato  ajudam no enraizamento das plantas, pois fixam a planta com maior facilidade devido ao peso, liberam cálcio que é usado pelas plantas mas que em excesso é prejudicial. Por isso não é indicado o uso puro, o que traz como desvantagem o peso maior que os compostos orgânicos, e a necessidade de muita adubação, além das regas constantes. A opção indicada é utilizar esse substrato junto com outro que absorva agua e adubo. Secagem super-rápida. PH: neutro



8º-     Isopor ou poliestireno expandido: É um material adotado em larga escala pelos grandes orquidários porque possui muitas qualidades no uso como mistura no substrato para orquídeas e também como dreno no fundo dos vasos.  É muito leve, não absorve agua, resolvendo um problema de aeração, durabilidade extremamente alta, tendo pouca ou nenhuma reciclagem é encontrado com facilidade dentro de embalagens de eletrodomésticos, e descartes em geral.  Não libera nenhum tipo de substancia sendo totalmente atóxico. Secagem super-rápida. PH: neutro





9º-    Casca de arroz carbonizada:
 As cascas de arroz têm baixa densidade e peso específico, além de lenta biodegradação, permanecendo em sua forma original por longos períodos de tempo. Apresentam um alto poder energético, já que contêm quase 80% de seu peso em carbono. Suas cinzas são compostas basicamente de sílica o que gera maior proteção contra doenças, são livre de plantas daninhas, nematóides e patógenos. Proporciona ótima aeração, pois retém pouca agua, mas como desvantagem não é facilmente achada, pois é descarte da indústria alimentícia que beneficia o arroz, sendo encontrada em lugares específicos necessitando pesquisa que pode ser feito pela Internet. Secagem rápida. PH:  6,0 a 7,0


       COMO ESCOLHER E USAR OS SUBSTRATOS




Todos esses substratos em geral são usados separados ou misturados, COMO NO EXEMPLO DA FOTO ACIMA.
 A maneira certa de escolher qual usar é ter em mente que a mistura ideal é aquela em que se tem um substrato que acumula umidade e outro que não acumula, permitindo boa aeração e retenção mínima de nutrientes além de PH equilibrado permitindo assim um bom enraizamento da planta além de uma durabilidade mínima que respeite o ciclo vegetal das orquídeas sem se deteriorar. Em geral dois anos é uma boa durabilidade.

Podem-se misturar dois ou mais substratos levando-se em conta que a secagem depende não só do substrato escolhido, mas também do tipo de vaso.Essa mistura  na foto abaixo pode ser usada para a maioria das orquideas e dura em média 2 anos.
Nesta mistura temos o chips de coco que segura agua como uma esponja e seca mais devagar, a casca de pinus que não retém muita agua e seca mais rápido que o chips e por ultimo o carvão vegetal que seca rápido, equilibra o PH do substrato e funciona como um bactericida natural.
esse exemplo de mistura abaixo vai bem no vaso de cerâmica que seca mais rápido, pois o chips de coco atua como regulador de umidade. 
Mas se for usar vaso plástico prefira usar só o pinus e o carvão e acrescente o isopor ou a pedra como dreno no fundo do vaso antes de por o substrato pois no vaso plástico é muito importante que o fundo  seque rápido!! Isso beneficia a planta.
 e se quiser, também pode misturar a pedra ao substrato que isso melhora a aeração e ajuda a fixar a planta melhor para que ela não fique solta. 
Sempre que replantar procure deixar a planta firme no vaso pois senão a planta não vai vegetar corretamente e para de crescer!!
  Fazer furos na lateral do vaso ajuda em lugares úmidos, pois aumentar a aeração e a ventilação e assim o substrato seca por igual em cima e em baixo evitando o apodrecimento das raizes. 


     ABAIXO VARIAS FOTOS DE DICAS E TIPOS DE                REPLANTES DE PLANTAS DA MINHA COLEÇÃO, É HORA DE OBSERVAR:


Furos para ventilação e secagem
Replante, com substrato mais seco: Casca de pinus carvão e pedras, e no fundo dois dedos de dreno usando isopor picado.
Substrato misto no vaso plástico- a vantagem é ter aeração
 para as raizes com boa fixação.
Plantada em tronco a secagem
 fica muito rápida, e a rega é diária.



Observe o começo do enraizamento no substrato:
  pedaços grande de casca de pinus e carvão, isopor no fundo.

Replantando no vaso plástico
 com mais pedra do que carvão e casca. 
é outra uso de substrato em vaso plástico.
 Ideal para ambientes mais umidos,
 pois não deixa as raizes apodrecerem.

Fundo do vaso com isopor picado,
 para drenar a agua da rega.Não apodrece e seca rápido. 

Plantio em vaso cerâmico com casca de peroba acoplada e a planta totalmente fixada e "caminhando" para cima da casca. Bonito visual.

Aqui a mesma situação da foto anterior. 
A planta fixa na casca e subindo,
 e o vaso como suporte. Imitando a natureza.
 Otimo dica de plantio para as orquideas espécies.
Replante com sucesso- 
planta já enraizando no substrato misto-:
 casca, carvão e pedra.

Neste replante além da casca de pinus, carvão e pedra usados como substrato, foi colocado uma fina camada de esfagno por cima, pois é exigência da planta que prefere mais umidade, mas de maneira superficial. O fundo do vaso fica mais seco, e a umidade fica em cima, como se estivesse fixa numa parte do "galho".


           MAIS ALGUMAS DICAS IMPORTANTES:
  •  Quando plantada em musgo esfagno e o vaso secar completamente a melhor maneira de regar é imergir o vaso num recipiente com água e deixar por alguns minutos, para que o ar sai e a agua penetre no esfagno e umedeça as raizes da planta.
  • Se você molhar com um regador, ou borrifador um vaso ressecado, pode ocorrer de agua encontrar um canal por onde escorrer e o resto do substrato continuar totalmente seco.
  • Um meio de verificar a umidade do vaso é aprender a sentir o peso, segurando com as mãos, alem disso pode ser através de um exame visual, e também enfiando um palito de madeira, caso ele sai umido é porque não precisa regar.
  • Não use a mesma água em que foi mergulhado um vaso para outro, a não ser que tenha certeza que não tem problema, pois se no primeiro houver fungos nocivos à planta, o outro vaso irá se contaminar também.
Cattleya warnerii coerulea- floração 2014
                                                  BOM CULTIVO !!
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