segunda-feira, 25 de maio de 2015

O INVERNO ESTÁ CHEGANDO...SAIBA O QUE MUDA NO CULTIVO.


A partir do mês de Junho, mais exatamente no dia 21 começa a estação mais fria do ano, e em alguns lugares já é possível sentir a mudança de temperatura, que começa ainda no outono. É uma época que acaba trazendo uma serie de duvidas para quem cultiva orquídeas, em relação aos cuidados com as plantas.
As orquídeas são as plantas mais evoluídas do reino vegetal e ao longo de milhares de anos evoluíram para viver sob condições extremas no clima, tolerando períodos de seca, ventanias e até mesmo a falta de nutrientes.
Durante o inverno, é a parte do ciclo que a grande maioria das orquídeas diminuem gradativamente o metabolismo e o gasto energético,até entrar em dormência, que é a fase em que as plantas ficam "paradas" sem brotações e sem emitir raízes. Se fosse fazer uma comparação, seria como a chegada do fim do ano para as pessoas, onde muitas fazem um balanço do que aconteceu no ano, o que deu certo e o que deu errado e também a hora de se preparar para o próximo ano e planejar as metas e sonhos. Para as plantas que florescem nessa época, é mais que necessário que se faça esse descanso pois a floração que antecedeu foi um momento de grande gasto energético. O ideal é que esse período passe sem grandes interferências, mantendo apenas cuidados básicos.

Espécie Vanda
 Durante esses meses de temperatura mais baixa e com a diminuição da duração de horas de luz as orquídeas tendem a trabalhar menos e a captar menos recursos. A cautela nessa hora e a observação são as aliadas de quem cultiva orquídeas, principalmente espécies de habitats de regiões tropicais, que não estão acostumadas com a queda de temperatura. Orquideas de clima tropical, tem maior dificuldade nessa época correndo risco de sofrer queimaduras e até mesmo morrer.

 As espécies originarias de regiões quentes são as mais sensíveis as temperaturas baixas, Vandas por exemplo, abaixo de 10 graus de temperatura sofrem demais chegando a queimar literalmente. Já espécies como as Catasetineas não se prejudicam, apesar de sua grande maioria de espécies serem de clima quente, não toleram a exposição por muito tempo a temperaturas inferiores a 4 graus,  mas ao contrario das Vandas, eles secam as folhas e entram em dormência profunda por até três meses consecutivos evitando maiores problemas e voltando a brotar e vegetar plenamente durante a primavera.

Catasetum em dormencia

Sabendo disso e para que ela passe pela estação sem maiores problemas,o cultivo nos meses que antecedem o inverno tem que ser o mais correto possível com regas e adubação regulares e com nutrição completa, preparando a planta. 



Phalaenopsis





Agora para as espécies que são de clima subtropical ou  até mesmo temperado, que acabam “precisando” da diferença térmica entre o dia e a noite que acontece na estação do inverno  para induzir as suas florações.Como exemplo temos os Dendrobiuns, Cymbidiuns e as Phalaenopsis.
Por isso conhecer a origem das plantas antes de adquiri-las é fundamental para não ser pego de surpresa pois existem orquideas que vegetam em todas as partes do mundo, e nos mais variados climas, exceto na antártica!



Cymbidium
Dendrobium nobile



Abaixo as principais duvidas das praticas de cultivo que ajudam no inverno:


É necessário continuar a adubação?

Bom, como explicado as plantas tendem a diminuir seu metabolismo nessa estação então de nada vai adiantar adubações excessivas, apenas o normal ou até mesmo diminuir a a dose,  mas parar  também não é aconselhável. O ideal é continuar a adubação sim para todas as plantas, evitando apenas as plantas que estiverem em dormência como é o caso específico de espécies como o Catasetum que entra em dormência por mais tempo,nesse caso a adubação pode ser suspensa, sendo retomada aos poucos ou até aparecer os primeiros sinais que a planta dá como a emissão de novas raízes e brotos. 

Qual o melhor horário para a rega no inverno?

O melhor horário para a rega das plantas durante o inverno é no período da manhã, para que o substrato não fique molhado, nem encharcado durante a noite, quando as temperaturas caem bruscamente impedindo que seque.

Existe maior risco de pragas e doenças?

 Sim,  pois o ambiente fica favorável para que esses males se desenvolvam melhor.As temperaturas são mais amenas e a umidade acaba aumentando. Então diminuir a umidade no ambiente dificulta a proliferação de fungos e insetos nocivos para as orquídeas. Aumentar o espaço entre os vasos também ajuda a dificultar a proliferação de insetos nocivos com as cochonilhas e pulgões.
Os fungos que vivem em ambientes mais sombreados e umidos, podem ser decompositores, parasitas ou mutualísticos. 
Muitas doenças das orquídeas são provocadas por fungos parasitas, que obtém o alimento nas plantas que se associam de forma oportunista. Eles “pintam” as folhas com manchas pretas que produzem esporos(sementes de fungo) se espalhando rapidamente para as outras folhas e também para outras plantas que estiverem por perto através do aumento da umidade ambiente, que favorece a germinação desses esporos. Já os fungos decompositores desenvolvem-se bem nesses lugares úmidos, com pouca luz e com matéria orgânica que usam para se alimentar. E assim como as bactérias, obtêm alimento decompondo essa matéria orgânica. São muito mais agressivos, como o fungo conhecido como "Podridão negra" que costuma viver no solo, e quando atacam uma orquídea podem matar a planta em questão de dias.
Já os considerados mutualísticos são aqueles que se associam as raízes da orquídea aumentando a sua capacidade de absorção e assim tanto a planta como o fungo se beneficiam. As micorrizas são fungos Mutualísticos e vivem na raiz da planta. Esse tipo de fungo acaba defendendo a planta também do ataque de outros fungos nocivos.

Os exemplares precisam ser mantidos em estufas?

Depende da espécie. As orquídeas em sua grande maioria vegeta bem entre 15 e 25 graus, por isso em locais onde a queda de temperatura é mais severa, chegando a ocorrer geadas, é necessário a proteção das plantas de clima tropical em ambientes internos ou  então fazer uma cobertura com filme plástico no orquidário para proteção contra queimaduras no exemplar, principalmente aquelas que são mais sensíveis ao frio, como as Vandáceas, e a maioria das espécies amazônicas, que não estão acostumadas com temperaturas abaixo de 10 graus.





Menos é mais...


Como passam por um período de baixa metabólica com a queda da temperatura e a diminuição das horas de luz, é importante lembrar que procedimentos mais invasivos, como o replantio e a divisão de mudas podem prejudicar muito o exemplar. O ideal é deixar passar esse período apenas monitorando as plantas e mantendo a limpeza do orquidário, fazendo as regas mais espaçadas e no horário da manhã.  Aumentar a distancia entre os vasos, para  melhorar a circulação de ar e evitar pragas e doenças. E quando chegar a primavera começa tudo de novo.... Bom cultivo!








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