domingo, 13 de setembro de 2015

A CIÊNCIA ESTRATÉGICA DAS FLORES- TECNOLOGIA A SERVIÇO DA VIDA

Cattleya schilleriana
Quando visitamos uma exposição de orquídeas sentimos uma alegria muito grande e um encantamento por ver centenas de flores juntas. Para muitos além de surpreendente é uma experiência magica pois descobrimos um mundo novo. Um mundo onde a natureza nos mostra toda a sua criatividade!!
Como numa exposição de arte onde as cores reunidas pelo artista expressas na tela, encantam aos olhares, a natureza capricha ainda mais com formas e perfumes, para encantar e atrair os agentes polinizadores. É a sabedoria da criação, que ensina que para estar vivo e evoluir é necessário viver em harmonia numa simbiose incrível e perfeita onde todos saem ganhando.
Polinizador visitando a flor- foto:naturezadivina.org.br
Uma gama de espécies de abelhas, borboletas, mariposas, beija flores e outras aves, além de moscas, besouros, formigas e outros insetos fazem um importante trabalho na polinização das flores das orquídea em todo o mundo. São milhares de espécies de polinizadores e são milhares e milhares de tipos de flores.  
Existem também espécies de orquídeas, que utilizando os elementos do meio, como o próprio vento, conseguem se auto polinizar! Acreditem, é pura estratégia!


As flores tem no polinizador seu grande aliado para
a perpetuação da espécie.
A flor de uma orquídea é o centro da sexualidade e reprodução da planta e por esse motivo ela adapta sua estrutura floral, sua forma e em especial a coluna da flor à aerodinâmica do polinizador.
A Floração é a fase do ciclo onde a planta gasta muita energia que acumula desde a brotação. É um momento que a planta preparou, calculando todos os detalhes para conseguir ser polinizada e gerar sementes.
 Se pudéssemos enxergar como os insetos, veríamos verdadeiras “fachadas iluminadas nos convidando para se divertir”, e o labelo seria o “campo de pouso”, mais iluminado ainda e com cores fortes, chamativas e luminosas. 
A maioria do gênero de orquídeas se utiliza de artimanhas para atrair seu polinizador. Como muitas espécies não produzem o néctar, procuram usar outros atrativos como as cores, os odores que são atrativos e também o mimetismo, onde a flor imita as insetos fêmea dos seus  polinizadores, inclusive exalando o odor característico. Muitas espécies de orquídeas de flores albas atraem o seu polinizador durante a noite porque sua cor se destaca na escuridão.
Phalaenopsis lueddemanniana- sua flor engana o
polinizador por mimetismo.
A espécie Phalaenopsis, originaria do continente asiatico, imita o formato de borboletas “enganando” seus polinizadores que pousam no labelo para examinar a flor e acabam carregando o pólen grudado no tórax na hora de sair voando e o deixam na flor seguinte.

O gênero Ophrys, conhecida também como orquídea abelha, é dos gêneros de orquídeas considerado dos mais complexos, isto é, com mais recursos.
A sua polinização acontece por pseudo-copula, onde o zangão confunde a flor com uma fêmea e pousa em cima acertando em cheio as políneas na hora da copula e quando sai voando leva junto o pólen grudado no seu dorso.  A atração é por causa da secreção química que a planta exala nas flores, idênticas as fêmeas da espécie de abelha, imitando em sua forma e cores metalizadas, sendo um plano espetacular, para proliferar a espécie.
 Só o que eu não sei, é como a planta sabe disso para atrair o polinizador!?

Mariposa introduzindo a "lingua",
para absorver o néctar da flor.


Angraecum sesquipedale
Existem flores que possuem polinizadores específicos, e um exemplo é o Angraecum sesquipedale, considerada a flor de Darwin e que prova a teoria de evolução das espécies, onde a flor possui características especificas para apenas um tipo certo de mariposas. A flor possui um tubo longo que desce da base do labelo, onde fica o néctar que atrai a mariposa que tem uma espécie de “língua” bem comprida que consegue alcançar o fundo do tubo. Na saída a mariposa carrega junto a polínea da flor que acaba ficando exatamente na abertura do estigma da próxima flor que a mariposa visita. É um trabalho que conta com cooperação, onde tudo é calculado para ser exato.



Bulbophyllum Rothschildianum, sendo
visitado por mosca.
 
Bulbophyllum lobby
O gênero Bulbophilum possui centenas de espécies polinizadas através de miofilia. Isto é, polinização por moscas,onde as flores exalam odor de matéria em decomposição, excremento e carniça, que atraem as moscas para colocar seus ovos, mas enganados acabam levando o pólen quando saem da flor e entregam de bandeja na outra flor polinizando-a. 
Mais engenhoso ainda é que em algumas espécies de Bulbophilum, as flores possuem movimento sempre que tocada pelo vento, imitando insetos com muita competência. É a capacidade da orquídea em utilizar os recursos do meio em seu beneficio.





Abelha visitando a flor do Catasetum atraida pelo perfume.

Abelhas euglossa visitando a flor do Catasetum
O gênero Catassetinea que inclui as espécies Catasetum, Cycnoches,mormodes, clowesia, entre outras se utilizam de um gatilho ejetor para lançar sua polínea assim que tocado pela abelha que visita a flor em busca do néctar, duas antenas muito sensíveis que ao menor toque disparam com muita rapidez acertando em cheio o polinizador.
As abelhas procuram as flores atraídas pelo odor característico do óleo produzido pela planta e que é usado pelos machos para conseguir atrair as fêmeas e fazer o acasalamento. Uma simbiose perfeita e muito importante para o equilíbrio e propagação das espécies, tanto da orquídea como a da abelha. 
Para quem já presenciou esse momento parece um bale de abelhas em volta das flores. Tanta eficiência empregada a serviço da continuidade da vida. Fica o ensinamento da natureza que juntos se pode mais. E por mais que não consigamos perceber que fazemos parte do todo, precisamos refletir até que ponto devemos interferir no meio, pois se a falta de determinado inseto, pode acabar com uma espécie de planta, em algum momento esse reflexo pode atingir a humanidade de forma desastrosa e irreversível.
                            BOM CULTIVO A TODOS !!
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