segunda-feira, 4 de abril de 2016

BIFRENARIA- AS FLORES DO SOL





Bifrenaria tetragona
Bifrenaria é uma gênero latino americano de orquídeas descrito pela primeira em 1827, mas até hoje não definido totalmente e sobre o qual ao longo desse dois séculos pairaram muitas duvidas e mudanças de nome.
 Atualmente é composto por cerca de 20 espécies divididas em dois grupos principais de plantas com flores grandes e flores pequenas, com algumas subdivisões percebidas na morfologia e confirmadas pela filogenia. É um assunto complexo e de muitas variáveis, sendo mais interessante o cultivo da planta que também tem suas particularidades.
Bifrenaria Tyrianthina
foto e cultivo Mauro Rosim
De um modo geral as espécies de Bifrenarias são encontradas vegetando em florestas da América Central e América do sul e em países como a Colômbia, Venezuela, Peru, Suriname, Guianas e Trinidad.

No Brasil começa pela Amazônia onde habita desde as matas mais elevadas em Roraima e proximidades dos Andes até as florestas de baixa altitude na várzea dos igapós e igarapés. Em áreas montanhosas e bem iluminadas da Bahia e Minas gerais, como na Chapada Diamantina também são encontradas Bifrenarias. É um genero que se adapta muito bem ao clima brasileiro onde ocupa ainda habitats na Mata Atlântica e serra do mar nos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, seguindo pelo Paraná, Mato grosso descendo até o Rio Grande do Sul.



Bifrenaria harrisoniae 
  Algumas de suas espécies são muito difundidas e bastante cultivadas pelos orquidófilos principalmente pela abundância de suas vistosas flores que por sua constituição espessa e disposição da inflorescência encanta qualquer pessoa. A primeira vista suas flores cerosas parecem artificiais, feitas em cera, algo que é realmente um encanto!

Em meio natural podem ser divididas em dois grupos distintos de plantas. O grupo das espécies que emitem flores grandes e cerosas com tamanho médio de sete centímetros. O numero de flores é de uma a tres em média por haste.
Como exemplo de espécies do grupo de flores grandes a Bifrenaria tyrianthina na foto ao lado que tem como quase irmã gêmea a Bifrenaria harrisoniae. Apesar de parecidas as duas espécies podem ser diferenciadas pelo calcar bem mais desenvolvido nas flores da Bifrenaria Tyrianthina se comparado com a Bifrenaria Harrisoniae. 
Bifrenaria harrisoniae var. alba
A Bifrenaria harrisoniae tambem pertence a esse grupo sendo a espécie mais popular. É encontrada em boa parte do Brasil, desde a Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e avançando até o Rio Grande do Sul. O mais curioso nesta espécie é que possui variações entre plantas de diferentes populações espalhadas pelos habitats. São diferenças no tamanho das flores e comprimento da haste floral alem do perfume das flores. Possui ainda a tendências de variar as colorações das flores conforme populações distintas. Essas características mostram a capacidade de adaptação da espécie que encanta por sua beleza e perfume de suas flores e mais ainda por seu modo de viver, onde muitas vezes está a pleno sol e sob rochas. É também uma planta de crescimento lento e otima para nos treinar a paciência no cultivo!
 Nas flores dessas duas espécies, a Bifrenaria tyrianthina e a harrisoniae são conhecidas todas as principais variedades de cores, são elas:
 alba, coerulea, semi alba, aurea (amarela) e a cor tipica com variações nas tonalidades de lilás variando do claro ao muito escuro.  As flores duram entre 15 e 20 dias quando protegidas e são muito perfumadas. O melhor meio de distinguir essas duas espécies é através do calcar bem mais desenvolvido das flores da Bifrenaria tyrianthira quando comparado com a Bifrenaria harrisoniae.

Bifrenaria saxicola- Pode ser 
nomeada tambem como 
Adipe ou Stenocoryne.
O outro grupo são das espécies que emitem flores pequenas, como exemplo a Bifrenaria saxicola que é originaria do Peru, Equador e Colômbia, países que possuem parte do seu território dentro da floresta Amazônica. 
Esse grupo de flores pequenas também é classificado como Adipe ou Stenocoryne pela taxonomia e são plantas que emitem flores em maior numero podendo passar de dez na mesma haste. 
As flores são perfumadas e têm sépalas um pouco maiores que as pétalas. Seus pseudobulbos são de quatro lados(tetragonados) e muito robustos, normalmente guarnecidos por bainhas secas na base. As Bifrenarias possuem uma só folha no ápice, exceto a Bifrenaria steyermarkii que ocasionalmente apresenta duas folhas. Uma característica que ajuda a definir a espécie é a forma das folhas das bifrenarias, que são plicadas, nervuradas, com consistência coriácea e pouco espessa, se apresentando maleável. 
 Suas raizes carnosas tem espesso velame protegendo a raiz, característica que indica que são mais adaptadas a vida nas árvores e sob Pedras controlando a evaporação durante o dia.

Quanto ao clima as Bifrenarias são encontradas em três tipos principais de habitats:
O primeiro tipo de habitat abrange áreas bem iluminadas onde vegetam enraizadas de maneira epífita em árvores de folhagem mais rala e muito frequentemente de maneira rupícola sobre rochas em áreas abertas das florestas. 
Bifrenaria Vitelina
Foto e cultivo Mauro Rosim
 São espécies que apresentam crescimento simpodial e cespitoso e são do grupo de flores grandes. As plantas desse grupo gostam de muita luz, vegetam bem em um padrão de luminosidade acima do padrão para Cattleyas e com muita aeração para as raízes.
O segundo tipo de habitat pode ser classificado como florestas úmidas de montanha, em altitudes de 300m até 1600m, onde habitam locais muito mais sombreados. A Bifrenaria aureofulva é umas das espécies encontradas nesses locais onde é muito comum  a temperatura apresentar sensível diferença entre o dia e a noite e também durante as estações ao longo do ano. A Bifrenaria venezuelana habita matas ainda mais elevadas, em regiões da própria Venezuela mais próximas aos Andes e bem mais frias.
O terceiro Ambiente é de florestas tropicais de baixa altitude e florestas equatoriais da Amazônia, principalmente nas várzeas dos igapós e igarapés, e mesmo em alguma campina onde a umidade é muito elevada e a temperatura mais ou menos constante ao longo dos dias e do ano. Nesses locais há muita iluminação, porém sem ser luz direta.


 Por existir essa variação de possibilidades de cultivo as Bifrenarias  podem ser plantadas em vasos de barro, vasos de plastico(depende de substrato de secagem rápida), cachepô de madeira e também cultivadas diretamente fixa em casca de madeira rugosa, como por exemplo a casca de peroba. O plantio direto na madeira é excelente, pois proporcionam alta aeração e secagem rápida, que evita o apodrecimento das raízes sendo ideal para ambientes umidos.
Bifrenaria Inodora- fonte wikipedia
No cultivo de espécies precisa ter uma umidade ambiente para que o local imite o ambiente  natural. 
No caso de optar por vasos, sempre usar um vaso proporcional em relação ao tamanho da plantas, pois aumenta o risco do excesso de umidade e consequentemente do ataque de fungos e apodrecimento das raizes. Alem disso cultivar bifrenarias em condições erradas podem causar manchas por fungos nas folhas e ainda o apodrecimento de pseudobulbos.
Bifrenaria silvana
Foto e cultivo : Mauro Rosim
É preciso se certificar de que a planta está em substrato bem drenado e arejado recebendo boa ventilação e luminosidade.
Para um plantio em vaso cerâmico pode ser usado como substrato uma mistura de casca de Pinus(pedaços de cerca de dois centímetros), misturada com pequenos pedaços de carvão e mais areia grossa, que contem pedriscos que ajudam na aeração e secagem pois o importante é o substrato secar durante o dia. O xaxim velho pode ser acrescentado na mistura também mas não é regra. As regas e a adubação devem ser intensificadas no período do verão e reduzidas no inverno. Bifrenaria costumam ter necessidade de maior luminosidade para que estimule a sua floração, dai o apelido da espécie (FLORES DO SOL),  caso contrário a planta pode não florir todos os anos.

O crescimento lento e o cultivo por parte somente de uma pequena quantidade de Orquidófilos especializados faz da Bifrenaria uma espécie muito desejada.
 Existe um melhoramento genético em algumas espécies e também hibridos, resultantes principalmente do cruzamento com Licaste e com outras Bifrenarias. Abaixo um exemplo Belíssimo! Um grande abraço e bom cultivo!
Bifrenaria Tyrianthina x Lycaste macrophylla- Foto e cultivo: Mauro Rosim









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