terça-feira, 1 de maio de 2018

DENPHAL- Parece phalaenopsis mas não é!



    Denphal é uma espécie de orquídea hibrida pertencente ao gênero Dendrobium que foi desenvolvida através de cruzamentos entre espécies do próprio gênero Dendrobium. 
Ao contrario do que muitos achavam essa nova "espécie" na verdade é um hibrido e não foi desenvolvida usando o gênero Phalaenopsis!  O que talvez possa causar duvida a esse respeito é a forma de suas flores que são muito semelhantes com as do gênero Phalaenopsis, inclusive na durabilidade delas abertas que passa fácil de um mês, mas para sanar qualquer duvida temos uma explicação mais cientifica para tanta semelhança:
Tanto o gênero Dendrobium como o gênero Phalaenopsis reunem espécies de orquídea que, apesar de terem características diferentes na parte fisiológica impedindo inclusive uma hibridação, se originam nos mesmos continentes e nas mesmas florestas tornando essa semelhança das suas flores necessária em virtude da necessidade de ser polinizada por insetos que vivem nesses ambientes e a forma da flor importa muito para poder chamar a atenção e conseguir atrair esses insetos.
Eu explico mais sobre a relação das flores com os insetos em um outro texto deste blog: "A ciencia estrategica das flores- A tecnologia a serviço da vida".

Isso com certeza ajuda a justificar a semelhança floral, não só dessas duas espécies, como também a semelhança floral de outras espécies de orquídeas asiáticas.
Os produtores de orquídeas que comercializam o gênero Denphal fizeram foi observar as semelhanças que existem tanto na forma como na quantidade de flores e durabilidade delas abertas, para então decidir usar esses dendrobiuns em cruzamentos para o mercado comercial de plantas ornamentais.

Dendrobium é um dos mega gêneros dentro do mundo das orquídeas com mais de 1200 espécies diferentes divididas em grupos/seções para que possibilite diferenciar as características diferentes entre as espécies de dendrobium além daquelas que normalmente são comuns a todas as espécies de gênero Dendrobium.
Entre os grupos/seções do gênero Dendrobium, o que deu origem aos Denphals foi a seção Phalaenanthe que agrupa três espécies conhecidas de Dendrobium. São eles: Dendrobium affine, Dendrobium leeanum e o Dendrobium bigibbum. 
A espécie Dendrobium bigibbum é a espécie que deu origem a maioria dos hibridos. É conhecida popularmente no país de origem por Dendrobium phalaenopsis, dando origem ao nome Denphal que é sua abreviatura, tornando-se o nome mais conhecido aqui no Brasil das pessoas que gostam e colecionam essas plantas.
Dentro do genero Dendrobium, a seção Phalaenanthe está intimamente próximo a seção Spatulata, com a qual se hibrida facilmente nos habitats naturais, o que poderia dar inicio a um estudo para reunir os dois grupos num só, pois uma quarta espécie que antes pertencia ao grupo Phalaenanthe, o Dendrobium williamsianum, foi separada e incluída no grupo Spatulata. Através desses cruzamentos entre espécie e entre hibridos e espécies ao longo de anos e anos possibilitou o surgimentos de centenas e centenas de plantas com as mesmas características vegetais nos bulbos folhas e raizes, mas com uma grande variedade de cores nas suas flores!
 Esclarecendo as duvidas principais das pessoas, os Denphals são orquídeas híbridas de cruzamentos entre espécies do gênero Dendrobium, que são orquídeas do continente asiático, mais especificamente da Ásia tropical e subtropical, estendendo-se por Nova Guiné, Bornéu, Filipinas, Austrália, e Nova Zelândia, que são países que possuem o clima muito semelhante ao Brasil, pelo menos no sol e na temperatura tropical, um dos segredos da facilidade de cultivo. 

Na parte vegetal as características das plantas são iguais em relação a todos os híbridos. São plantas com pseudobulbos altos, podendo chegar até a um metro de altura dependendo da planta, grossos e com folhas persistentes, isto é, folhas que se mantem por anos antes de caírem, diferente do dendrobium nobile(conhecido como olho de boneca, que derruba as folhas antes da floração). 

Seus bulbos também possuem a capacidade de emitir brotos(os brotos são chamados de keikis, que após a emissão de raízes pode ser destacados e replantados formando novas plantas!). 
Alem da durabilidade das flores e da resistência ao clima tropical aqui do Brasil, os Denphals são orquídeas que emitem flores de pétalas e sépalas arredondadas podendo ser bem redondas ou em forma de gotas.
As flores costuma sair do ápice do pseudobulbo em hastes florais finas com muitos botões que abrem sucessivamente e que podem durar semanas e semanas abertas, passando fácil de um mês se bem cultivados. Pode emitir mais de uma haste por bulbo e eu já vi plantas com três e quatro hastes em um único bulbo, sendo simplesmente um cetro de flores como essa planta da foto ao lado que emitiu 3 hastes em um único bulbo e mais hastes nos outros dois bulbos floridos. Num único vaso eu tenho sete hastes florais!!! É muito mais do que eu esperava, achei magnifico!
 Alem disso possuem a capacidade de 
repetir a floração no mesmo pseudobulbo que já floriu, por isso não devem ser descartados mesmo se já estiverem sem folhas porque também servem como reserva nutricional da planta. No cultivo ideal onde a luz, umidade e adubação estão condizente com suas necessidades os Denphals vegetam o ano inteiro ficando pouquíssimo tempo em dormência que as vezes nem é percebida.
Pode ser dividido sempre que tiver pelo menos 3 bulbos folhados para garantir uma reserva minima para formar um novo vaso e florir nos anos seguintes. No replantio são exigentes como qualquer dendrobium e precisam ser bem fixados no novo vaso para facilitar a adaptação. Usualmente o substrato mais usado pelos produtores é um misto de casca de pinus, carvão vegetal e chips de coco, mas como os Denphals são exigentes com a aeração quando adquiro uma nova planta acabo substituindo o chips de coco por pedrisco de rio dando maior aeração para as raízes crescerem alem de fixar melhor a planta que ajuda a adaptação dela no novo substrato.
No cultivo domestico os Denphals podem vegetar até a sol pleno mas tanto a umidade ambiente, como as regas e adubações devem acompanhar na mesma intensidade para promover o equilíbrio no cultivo minimizando as oscilações bruscas de temperatura e falta de umidade comuns numa casa, bem diferente de uma estufa profissional de um orquidário onde as regas são mais espaçadas devido ao ambiente mais equilibrado.
Para quem é iniciante nesse vasto mundo das orquideas, os Denphals são excelentes plantas para se ter e colecionar em casa devido a sua grande rusticidade no cultivo, sua beleza nas cores e formatos das flores e durabilidade deixando o local muito mais agradável e colorido! 
Eu coleciono Denphals a bastante tempo e sempre me surpreendo com sua beleza simples e porte imponente. Um grande abraço a todos e bom cultivo!




            Agora o que não podia faltar!!! Dicas para cultivar Denphals com qualidade em sua casa:

As plantas dessa espécie tem folhas persistentes por alguns anos mas, podem perder as folhas mais facilmente se expostas a condições severas de luz e calor intenso. Para se ter um bom cultivo as temperaturas devem ser quentes o ano inteiro, mas com noites frescas. A rega e adubação devem ser constantes durante a emissão de novas raízes e novos brotos para que se desenvolva o melhor possível para suportar a floração. Lembre-se que um único bulbo de Denphal pode sustentar mais de duas hastes florais ao mesmo tempo, mas para isso devem ter um ótimo desenvolvimento durante a fase de brotação! 
A luz ideal é de 50% onde pode ser instalado um sombrite para ajudar. A época de floração dos Denphals no meu cultivo domestico costuma ser no fim do verão, mas em estufas a floração pode ser controlada o que faz com que floresçam para ser vendidos em qualquer época do ano. O que devemos sempre observar e estar atentos que mesmo sem saber ao certo a época de floração da espécie podemos seguir a regra das fases da planta: brotação e maturação do bulbos, pre-floração e floração, frutificação(quando as flores são polinizadas) e dormência( nos Denphals quase nem é notada dependendo da região de cultivo)
A floração dos Denphals acontece mais fácil quando existe oscilação das temperaturas entre o dia e a noite, por isso cultivar em regiões onde até as noites são quentes a floração pode ser mais demorada, mas nada como uma boa adubação para ajudar nessa parte.
Abaixo vou deixar o endereço da agrooceanica, que fabrica os fertilizantes da linha AMINOPEIXE que utilizo há mais de 5 anos com muito sucesso pois sua formulação é bem mais completa do que a maioria dos adubos do mercado. Alem disso a absorção pela planta é imediata apos a aplicação o  que torna a taxa de absorção e utilização dos nutrientes muito maior. 

Se você ainda não aduba suas plantas ou não anda satisfeito com o seu adubo experimente acrescentar AMINOPEIXE na sua adubação. Os compostos orgânicos presentes no fertilizante melhoram a capacidade da planta em vegetar e absorver nutrientes melhorando a absorção do adubo que você já usa. Alem disso supre a carência de microelementos que normalmente faltam nas adubações caseiras por falta de opção. Usar AMINOPEIXE pode tornar muito mais pratico o seu cultivo, dando a qualidade de um cultivo profissional!!! 
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

RESSUPINAÇÃO FLORAL- O balé das flores




Cattleya Walkeriana Tipo
Sabe quando aquela orquídea linda que compramos ainda com a espata floral preparando os botões de flores?
 E depois levamos para casa e ansiosamente esperamos as flores se abrirem lindas, iguais as que vemos certinhas abertas lado a lado?
E ai quando abrem você percebe que estão tortas, de lado ou de cabeça para baixo!
Bom se você já viu isso  acontecer f
icou se perguntando o que pode ter acontecido, pois sempre que vemos uma orquídea em uma exposição ou a venda ela esta impecável, linda e com as flores abertas corretamente! 
Normalmente a grande maioria das espécies de orquídeas, para fazer isso acontecer, precisam realizar corretamente um movimento com os botões assim que saem para fora da espata floral. Esse movimento pode ser comparável a movimentos do "balé", ou de uma acrobacia que chamamos na orquidofilia de ressupinação floral. 

1-Botões começando a girar
2-Flor abrindo corretamente.
Planta: Potinara Hoku Gem
Esse movimento de ressupinação é um giro em torno de 180 graus da posição inicial do botão apos sair da espata floral, ficando invertido em relação a posição natural onde se inicia o processo de formação dos botões. Apos a torção do pecíolo(cabinho que segura o botão floral), a pétala dorsal da flor, que chamamos de labelo, deve ficar na posição ventral para servir de pouso para o polinizador. Esse movimento dos botões florais garante que quando se abrirem todas as flores estejam na posição correta. Geralmente o labelo da flor é a parte que mais chama a atenção pelas cores e por esse motivo é possível acreditar que é dessa forma exatamente para facilitar a vida do polinizador.

 
Nesse texto eu selecionei e fotografei três exemplos de ressupinação dos botões florais para um maior entendimento de todo o processo. 
Agora o mais interessante saber é como a planta sabe a posição correta na hora de posicionar os botões antes de se abrirem? 
Sem olhos fica difícil não é mesmo?
1-Botões saindo da espata
2-Agora fazendo o giro
 Para uma orquídea não é não, porque para fazer o giro ela se utiliza da posição do Sol como orientação. As plantas de uma forma geral dependem do Sol para absorverem a energia solar para fazer a fotossíntese e por esse motivo sempre vão acompanhar o seu movimento. Se houver uma mudança brusca de posição da planta ela precisará alterar toda a recepção de luz novamente para poder orientar seu crescimento.   
Uma planta não escolhe onde vai germinar, basicamente isso depende de outros fatores como o vento que carrega as sementes e as leva para longe. Mas uma vez germinada a planta começa a crescer e evoluir, pois toda a sua parte vegetal de cor verde, bulbos e folhas absorvem a energia solar para esse fim e por esse motivo sabem onde o sol nasce e onde ele se põe.
No cultivo em nossas casas não deve ser diferente. Devemos antes de mais nada primeiro estabelecer um critério para escolher o local para colocar as orquídeas,  porque assim elas vão se beneficiar e vegetar com qualidade conseguindo se adaptar ao ambiente. Quando a planta emitir um novo broto, este estará na melhor posição em relação a exposição a luz do sol, para que alem de conseguir um crescimento pleno possa também florir com abundancia! 
Talvez você não saiba disso, mas uma orquídea com certeza sabe...

3- inicio da abertura na posição
correta.
4- Abertura quase completa da
Cattleya Memoria Robert Strait.
Os botões   quando saem de dentro da espata floral se orientam pelo Sol para abrirem na posição correta. 
Este é um processo fisiológico que faz parte da complexidade de uma orquídea e faz parte de suas necessidades e adaptações para propagar a espécie. Sem luz ,sem fotossíntese,  e sem flor também... Isso resume a necessidade que uma orquídea tem da luz.
O melhor cultivo sempre deverá tenta equilibrar esses três fatores principais do ambiente: luz, umidade e ventilação. 
Quando se cultiva em casa devemos ter sempre em mente isso para usar da criatividade na criação do local onde vai cultivar suas orquídeas.
Então agora que você sabe o que é ressupinação, agora precisa saber como pode ajudar a sua planta a conseguir fazer o giro direitinho para que a flor fique a posição correta!

Bom, de inicio vamos entender um fato:
Uma orquídea normalmente não se movimenta, nem troca de lugar!
Em meio natural ela nasce em um local, geralmente uma arvore, e lá permanece por tempo indeterminado pois elas são perenes, então seu crescimento é direcionado e a floração também, sempre na mesma direção como se "buscasse" o sol . Já no cultivo comercial as plantas são cultivadas também em locais praticamente fixos, com poucas mudanças de temperatura, iluminação, umidade ao longo das fases do seu crescimento. E isso também garante que a planta regule seu crescimento usando a posição do sol para brotar e também para florir. Dentre todas as espécies de orquídeas do mundo existem as que não ressupinam como as catasetineas, Zygopetalum, entre outras, e nem seguem o mesmo padrão da maioria por isso é imprescindível saber o máximo de informações sobre a espécie que se tem para facilitar o cultivo.
Na nossa casa o cultivo deve seguir a mesma característica de manter a planta em um local fixo, seja numa bancada ou pendurada para que consiga orientar seu crescimento e sua floração.  Isso também evita o estresse da planta, pois sendo dependente do sol, mudar ela de local sem conhecer as fases da planta, sem critério e observação podemos causar dificuldades no cultivo e no caso da floração pode causar uma abertura errada da flor deixando-a de lado ou de cabeça para baixo.
Quando se inicia o processo de floração, a planta vai se orienta pela posição dela em relação ao sol e por esse motivo seria a hora menos indicada para alterar o local da planta. Mas se isso for realmente necessário deverá ser feito antes que os botões saiam da espata pois é nesse momento que se inicia o giro. 
No caso de adquirir uma planta prestes a florir mas com os botões ainda dentro da espata floral, devemos sempre ter em mente que a posição da frente da planta, o bulbo com a espata floral deve ficar voltada em direção ao nascer do sol, pois dessa forma as flores podem fazer o giro corretamente e abrir na posição certa, e alem disso facilitar a adaptação dessa nova planta no novo local. Os novos brotos dessa mesma orquídea nascerão na base do bulbo florido e  ficaram na melhor posição em relação ao sol aproveitando melhor a luz para crescer e se desenvolver. 
Quem cultiva orquídeas a mais tempo sabe que cada novo broto de uma orquídea é a esperança de ver flores no futuro, por isso leva a serio o desenvolvimento desse bulbo para que no fim do seu crescimento mostre toda a sua beleza com as flores!

O interessante no cultivo de orquídeas é que sempre vai nos encaminhar para  se aprofundar nos seus conhecimentos pois é um mundo vasto e prospero, alem de muito encantador!
Espero que tenham gostado do texto. Esse é o ultimo desse ano e quero aproveitar e agradecer a todos os leitores e as pessoas que me seguem nas redes sociais, sempre trazendo duvidas e conhecimentos dos mais variados a respeito de plantas e desejar que em 2018 todos tenham do que se orgulhar com suas orquideas ok!!!
Um grande abraço e até mais!!!









sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

HOFFMANNSEGGELLAS- DAS PEDRAS TAMBEM NASCEM FLORES!



Hoffmannseggella bradei
Quando iniciamos no cultivo de orquideas e começamos a aprender sobre essas belas plantas não conseguimos imaginar o tamanho desse mundo e a quantidade enorme de flores, cores, perfumes, que existem. 
Mais difícil ainda seria imaginar logo de cara que as orquídeas são plantas das mais rusticas e resistentes que existem! 
Pois bem para quem cultiva há mais tempo sabe que as orquídeas são compaveis aos cactos pela maneira como fazem a sua fotossíntese onde produzem seu próprio alimento e por esse motivo conseguem vegetar quase no planeta todo, mesmo em áreas desérticas com períodos de seca, apenas como exceção o frio intenso do Ártico que inibe o crescimento vegetal.
 Um grande exemplo dessa complexa resistência ao calor e a insolação direta são as plantas que ilustram esse texto, uma orquídea brasileira, mas com nome de estrangeira: hoffmannseggella, que é uma subdivisão do gênero Laelia, e que atualmente foi anexado ao gênero Cattleya. 

Hoffmannseggella guylanii flamea
É composto por aproximadamente 60 espécies conhecidas, todas aqui do Brasil, em habitats localizados em regiões montanhosas chegando até o cerrado nos estados de Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, e também na Bahia.
 Entre todos os estados brasileiros, Minas Gerais se destaca como o mais extenso conjunto de terras elevadas do país e por esse motivo é o estado que concentra a maioria das espécies rupícolas de hoffmannseggella no Brasil.
 As espécies rupícolas habitam a parte mais alta das montanhas, em altitudes variáveis, acima dos 800 metros acima do nível do mar, e não só elas mas também centenas e centenas de outras espécies de orquídeas habitam toda essa região que divide o litoral do interior e por esse motivo acaba recebendo uma excelente umidade ambiente trazida pelos ventos que também vem do mar para o continente. 


Hoffmannseggella mixta
Em geral os ambientes onde as hoffmannseggelas vegetam são abertos e há pouca vegetação em volta onde o que predomina no solo são rochas e sedimentos, tornando esses locais impróprios para a maioria das plantas que conhecemos. Por esse motivo, orquídeas, bromélias,vellózias, cactos, entre outras espécies de plantas são as famílias botânicas que predominam nesses tipos de habitat havendo uma grande diversidade de espécies que juntas formam "ilhas de vegetação" sobre as pedras, dando a oportunidade até para que outras espécies se desenvolvam. 
Pelo modo como vegetam, essas orquídeas podem ser consideradas litofitas, saxícolas, rupícolas ou ainda rupestres, enfim, muitos nomes para dizer uma coisa só: plantas que vivem entre as rochas. O segredo para tal façanha pode ser visto ao final de cada dia quando o sol se põe e o ambiente se transforma com a queda da temperatura e um grande aumento da umidade ambiente com o orvalho que se forma no fim do dia e toma conta de tudo hidratando as plantas.
A separação dessas espécies de Laelia para a formação do novo Gênero hoffmannseggella teve como objetivo principal agrupar todas as espécies rupícolas facilitando a identificação do ponto de vista botânico. No meio orquidófilo elas são mais conhecidas mesmo como Laelias rupícolas ou Laelias Mineiras. Inclusive foi assim que as conheci! (Laelia se lê: Lélia).
Hoffmannseggella crispata
As características dessa variedade de espécies se dá exatamente pelo local de origem, onde se adaptaram a vegetar bem mesmo com uma maior variação térmica e extrema insolação. Por esse motivo podemos comparar as Hoffmannseggellas com os cactos pelo tipo do seu metabolismo e fotossíntese que é conhecido como CAM (metabolismo acido das Crassuláceas), altamente econômico para a planta e que permite a ela poder fazer as trocas gasosas da fotossíntese durante a noite com a abertura dos estômatos (glândulas das folhas) só no fim do dia, pois dessa maneira a perda de água é praticamente nula em relação ao que perderia de dia com calor.
Na parte vegetal as hoffmannseggella também possuem características especiais para facilitar a sua vida sobre as pedras. São plantas de pequeno porte possuindo rizoma curto e pseudobulbos cônicos, cilíndricos, normalmente com uma folha só de formato lanceolado com textura coriácea. 
Sophronitis cernua x Hoffmannseggella crispata
As folhas das espécies são grossas, duras e bastante inclinadas para diminuir a fotodegradação dos tecidos causada pela alta radiação. 
O crescimento delas é simpodial, mas bastante aglomerado o que dá o aspecto de touceira ou "tapete". 
Possui uma variação morfológica grande em função do habitat, podendo alterar muito o tamanho e a altura dos pseudobulbos conforme o local onde está fixada. Com a alta exposição ao sol, a formação de carotenoides para a proteção da clorofila aumenta gradativamente e tanto os bulbos como as folhas tendem a ficar amarelados e ou avermelhados, o que para mim é uma beleza a parte! 
Hoffmansseggella itambana
Mesmo com todos esses recursos para sobreviver o ciclo tende a ter épocas de maior calor e menor umidade e nos habitats podemos ver plantas com os bulbos traseiros secos e queimados. No meu cultivo isso não costuma acontecer pois consigo fornecer a umidade necessária conforme a época do ano equilibrando e evitando picos de estress hídrico nos exemplares da minha coleção. As raízes das hoffmannseggellas são capilares com velame grosso e muito mais tolerantes ao calor e a umidade do substrato do que espécies epífitas, sendo totalmente adaptada e especializada a se fixarem nas fendas das rochas ou entre o musgo sobre as rochas. Desse forma também conseguem proteger suas raízes do calor excessivo, se fixar e se alimentar da matéria orgânica que se acumula entre elas. 
Também é possível encontrar exemplares vegetando sobre as rochas ao invés das fendas, e mesmo sob alta temperatura, conseguem se proteger sem danificar suas raízes com o calor, pois costumam formar pequenas touceiras protegendo suas raízes.
Hoffmansseggella milerii
As flores das hoffmannseggellas são um show a parte nesse cenário cinza das pedras, chamando a atenção de polinizadores facilmente.
Com hastes florais longas, em cachos podendo chegar até 50cm de altura em relação a altura da planta com as flores se abrindo sucessivamente sustentando de uma até mais de oito flores. 
O tamanho das flores também é variável, ficando entre 2 e 7cm de diâmetro de formato estrelado. As pétalas e sépalas tem o mesmo tamanho e formato com cores vibrantes como amarelo, vermelho, laranja, lilás e branco causando um enorme contraste no habitat na época de floração. O labelo da flor costuma ser franjeado e da mesma cor das pétalas e sépalas, mas podendo também mesclar tonalidades de cores, linhas e pinceladas com cores diferentes que chamam muito a atenção e indicam o caminho aos polinizadores.
Potinara Hoku Gem- Planta 
hibrida, neta 
da hoffmannseggella milerii!

    







Alem das espécies existem também os híbridos formados em cruzamentos com essas pequeninas, pois as hoffmanseggellas possuem qualidades interessantes que podem ser passados nos cruzamentos. 



















Hofmannseggella guylanii var. flamea





Com todo esses atrativos cada vez mais vemos coleções dessas jóias da natureza, pois em locais pequenos conseguimos cultivar vários exemplares sem se preocupar com o calor e a luz excessiva que prejudicariam outras espécies de orquídea.
Para mim o que mais chamou a atenção nelas desde o inicio foi o fato de terem esse porte de "miniorquidea" com flores de cores vivas e com a forma estrelada! Pude conhecer essas beldades em uma exposição de orquídeas em Vinhedo-SP, no estande de um dos orquidários que estavam comercializando plantas, e ai perguntando sobre o cultivo fui informado que era bem simples, apenas necessitando sol praticamente pleno, adubação orgânica e regas praticamente diárias também, e ao final do dia. Eu moro no oeste do estado de São Paulo, quase divisa com o sul do estado de Minas, com altitude de 600 metros acima do nível do mar,  e aqui o clima é propicio ao cultivo delas, onde temos até 40 graus de calor no verão e um bom frio no inverno. Essas características de clima exigem um cultivo buscando um equilíbrio desses fatores para que se tenha qualidade no cultivo. No meu caso aqui especificamente consigo isso com uma adubação que ajuda a planta a vegetar com qualidade nessas condições adversas e com regas constantes incluindo todo o ambiente a volta das orquídeas que é repleto de outras plantas para equilibrar a umidade e a temperatura/ventilação.



Agora o passo a passo que faço na hora do plantio das hoffmansseggellas: 



-Estas duas plantas nas fotos ao lado que vou replantar em um vaso maior de boca mais larga.
-Eu uso um substrato misto de pedrisco comprado em gardens, carvão vegetal novo e picado e casca de pinus picada também.

- E ainda acrescento dez por cento de humus de minhoca na mistura.

 -Vaso plastico boca larga. 

-Nas fotos ao lado, as duas plantas que estou replantando.




























 Preparando o substrato: 
-Apesar de ser indicado para as hoffmansseggellas, tambem pode servir para qualquer espécie de orquidea epifita tambem, só que sem acrescentar o humus de minhoca que uso exclusivamente em espécies rupicolas!
-Usando o substrato dessa forma consigo fazer regas constantes sem prejudicar a aeração das raizes!


Pedrisco 50%

Casca de pinus + carvão vegetal- 40%
Humus de minhoca- 10%










Misturando bem cada item em um recipiente limpo!







 



-Depois de bem misturado pegue o vaso e faça uma camada só de pedra no fundo para ficar de dreno. 







-Coloque um pouco da mistura do substrato.








-Retire a planta do vaso sem mexer em suas raizes, pois não ha nenhuma necessidade de limpa-las ou lava-las antes de replantar. Fazer isso pode prejudicar a planta.




 -Acomode a planta o mais centralizado, pois ela costuma ter muitas frentes e crescer em varias direções, sempre se guiando pelo sol.
-Complete em volta com mais substrato e pronto! A pedra fixa a planta que com o tempo enraiza melhor no novo vaso.









 Em seguida ao replante eu faço um "mergulho" com a planta usando um adubo completo, com tudo que a planta precisa de minerais alem de outras substancias muito benéficas e que facilitam demais o meu cultivo.
Quem quiser experimentar entre no site: www.agrooceanica.com.br

Se voce já usa algum outro adubo tambem pode e deve usar os adubos da agrooceanica pois eles alem de nutrir melhoram a capacidade da planta em se alimentar no ambiente aproveitando muito mais outra adubação intercalada com eles. 

Alem de assentar o substrato travando a planta definitivamente, o mergulho nessa agua diluida com adubo acelera a "pega" da planta no novo vaso alem de enriquecer o substrato com minerais essenciais as orquideas!! Experimente e depois me diga o que acha!















Bora formar uma coleção como eu??   um grande abraço a todos!!!!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

CATTLEYA WARNERII- A GRANDE MATRIARCA.

Cattleya warnerii coerulea- Umidade para as
raizes no fim do dia para se recuperar do dia
ensolarado. As plantas adquiridas em produtores
  tem maior qualidade na armação ecoloração,
alem do tamanho maior de petalas e sepalas.
 Essa Cattleya Brasileira não tem uma historia tão misteriosa  como a da Cattleya labiata, que ficou com sua localização verdadeira oculta por decadas.  Mas em termos de beleza é praticamente igual!  
A Cattleya warnerii e a Cattleya labiata tem o mesmo porte vegetativo e flores que se confundem entre os olhares menos experientes, mas algumas particularidades distinguem as duas:
* O padrão de enraizamento das espécies é uma delas. A Cattleya warnerii enraiza o pseudobulbo apos a floração e a sua irmã, a Cattleya labiata enraiza o pseudobulbo antes da floração. 
*Quando florida a Cattleya warnerii apresenta bainhas na cor preta(a palha que envolve o bulbo) e suas folhas se assemelham a colheres, por serem concavas e alongadas. 
*Na base os pseudobulbos a Cattleya warnerii afina bruscamente facilitando sua identificação entre as Cattleyas monofoliadas.
* Seu perfume é único e agradável



Cattleya warnerii tipo - cultivo Mauro Rosim
Esta bela especie de Cattleya é uma das principais Cattleyas monofoliadas da nossa flora Brasileira e que deram origem a milhares de híbridos desde o seculo 19. É uma das grandes matriarcas nos cruzamentos devido ao tamanho de suas flores, seu perfume e a grande facilidade de cultivo se mantida uma boa umidade no ambiente. Era e é ainda encontrada nos estados do Espirito Santo e Minas Gerais e também em parte do Rio de janeiro e da Bahia.  Infelizmente em alguns desses locais talvez não exista mais especimes, pois entrou para a lista das plantas em risco de extinção. Por anos e anos alvo de coleta indiscriminada devido a beleza de suas flores. Desde os seculos 18 e 19 era pratica comum coletores viajarem o mundo atrás de "tesouros", aportando em florestas pelo mundo afora e retirando da natureza desde insetos, pedras preciosas, animais, sementes de arvores e plantas ornamentais como as orquídeas. As orquídeas eram coletadas aos milhares e levadas a Europa onde eram leiloadas.

Muita coisa se perdia ou nem embarcava, pois morria no porto esperando para ser carregado.


Cattleya warnerii concolor- Nessa cor o labelo não se destaca, 
exceto pelo amarelo no alto.

Aqui no Brasil na época da colonização a Cattleya warnerii era comumente usada para ornamentar as residencias dos povos estrangeiros sobretudo alemães e italianos que ocuparam terras dentro do seu habitat. Adiante no tempo vieram pessoas de fora e até estrangeiros que se interessavam pelo cultivo de orquídeas e a cattleya warnerii passou a ser procurada por proprietários de floriculturas, colecionadores adquirindo um maior valor comercial e entrando para o grupos das espécies de orquídeas com melhoramento genético e hibridações.
 Por ser uma Cattleya que possui flores de grande tamanho, até 23 cm de diametro, seus cruzamentos acabam ganhando maior tamanho nas flores. Alem disso existem exemplares com ótima estrutura, coloração e perfume muito agradável que também são atributos passados nos cruzamentos feitos com a Cattleya warnerii. Atualmente existem plantas de grande qualidade que puderam ser clonadas e disponibilizadas aos colecionadores nos orquidários aqui do Brasil. É uma espécie muito resistente tornando fácil seu cultivo, agradando a iniciantes e orquidófilos mais experientes, diminuindo cada vez mais o risco de desaparecimento dela na natureza pois a pratica de multiplicação dela evita que exemplares saiam da natureza.
As plantas encontradas a venda possuem
excelente qualidade. Um exemplo disso é esse
exemplar de cor coerulea que 
consegue 
carregar e manter a floração farta.
A vantagem de se adquirir plantas produzidas in vitro é a possibilidade de possuir plantas com um DNA bem melhor do que as que existem na natureza. São plantas mais adaptadas ao cultivo domestico e de floração superior em tamanho das petalas e sepalas, armação, cor, perfume e quantidade de flores. A minha Cattleya warnerii Coerulea por exemplo costuma emitir 3 ou 4 flores por bulbo, e isso não é só adubação, também é o melhoramento genético das plantas advindas dos orquidários profissionais.
A Cattleya warnerii é uma plantas que costuma vegetar em altitudes baixas, 100, 200 metros não passando muito dos 800 metros em meio natural. Os locais onde ficam contam com boa luminosidade e alto teor de umidade ambiente. As variações são de 15 milímetros de chuva nos meses secos até 350 milímetros nos meses mais chuvosos. As temperaturas no habitat variam de 10, 15 graus até mais de 30 graus no verão e em partes do inverno. 
A floração da Cattleya warnerii acontece no começo da primavera, a partir de outubro, logo depois de suportar as variações de temperatura e a queda na umidade do ambiente durante o inverno. É uma gigante em termos de resistência. Seus pseudobulbos podem atingir  30cm, podendo ultrapassar isso em exemplares encontrados em ambientes mais úmidos aparecendo plantas de grande porte. 
Este exemplar coerulea se preparando para
florir. Emite até 4 flores por
 pseudobulbo. Cultivo facil quando se imita
o habitat com umidade alta.
 A unica folha do pseudobulbo é ovalada, mais comprida do que larga, com tamanho maior que os pseudobulbos conforme a intensidade de luz que recebe. De raízes grossas essa cattleya genuinamente epífita tambem pode ter comportamento de rupícola vegetando em cima de pedras. Vegeta no sistema CAM, mesmo dos cactos onde de dia a planta mantem suas aberturas nas folhas(estomatos) fechadas e a noite aproveita as chuvas e cerrações no habitat para se hidratar. 
Em casa eu cultivo a Cattleya warnerii como outras Cattleyas de raízes grossas e habito epífita, mantendo seus" pés molhados a noite", isto é imitando a natureza com a umidade noturna que é encontrada no habitat. Uso vaso de barro baixo, e substrato duro(pedaço de casca de peroba e carvão vegetal).
 As flores da Cattleya warnerii apresentam-se em variadas cores: Tipo, coerulea, alba, semi-alba, rubra, concolor entre outras mais raras por existirem em menor quantidade: Venosa, albecens, coerulencens, amesiana, amena, suavissima e flamea. A cor tipo apresenta um padrão uniforme onde as pétalas e sépalas são lilases desde o tom mais claro(suavissima) até mais escuro(rubra).


Cattleya warnerii tipo- cultivo Mauro Rosim
O labelo é lilas, mas com uma quantidade maior de cores. Possui uma mancha triangular na parte central interna em tom de lilas mais escuro e diferenciado e a medida que se aproxima da borda os tons de lilas vão ficando mais claros podendo chegar a ser branco sem que a flor deixe de ser tipo. Aproximando-se da inserção do labelo com a flor aparece o amarelo que sobe pelo tubo polínico indo dos tons limão ao amarronado geralmente se misturando ao lilas, que forma de riscos dentro do amarelo causando um grande contraste das cores.
 Para um inseto que tem uma visão diferenciada da nossa, acrescentado da ação da luz do sol sobre as cores, é como se a flor virasse um luminoso em neon que chama muito a atenção no meio do verde e marrom da floresta. Para nos apaixonados pela espécie é encantador essa mistura de cores do labelo da Cattleya warnerii. 
A espécie ainda possui algumas particularidades de cultivo e para quem quiser possuir esta bela planta em sua coleção fica ai as dicas:

 *Passa um longo período em estado latente(dormência) até a floração (Não adianta ficar preocupado e ansioso se isso acontecer).
*Possui espata floral simples, onde a interna nunca ultrapassa a externa.

*Cattleya de flores grandes podendo chegar a 23 centímetros de diâmetro, muito usada em hibridações por isso e pelo perfume marcante.

* A folha que é coriácea faz um pequeno angulo com o pseudobulbo.

 *Influencia muito grande do ambiente no cultivo da Cattleya warnerii. Muita luminosidade pode modificar a estrutura da planta diminuindo o tamanho dos bulbos com as folhas mais arredondadas. A umidade atua da mesma forma, se é precária a planta desidrata e fica suscetível a ataques de pragas e doenças.
 *os carotenoides( moléculas que dão cor as flores) nunca aparecem nas plantas de flores albas, nem nas folhas e nem nas raízes. Inclusive por causa deles as flores de cor tipo e coloridas tem maior tolerância a luz do que as plantas albinas, porque estas moléculas envolvem e protegem a clorofila do excesso de luz.

 *Apos a floração a Cattleya warnerii começa a emitir raízes novas e essa é a melhor hora de dividi-la. Para isso conte pelo menos 4 bulbos para formar uma nova muda e florir normalmente. Sempre se lembre de deixar a planta firme no vaso sob risco de ela parar de crescer e ter dificuldades de vegetar.

                          BOM CULTIVO A TODOS!!